UMA DOSE VIOLENTA DE QUALQUER COISA

Ficção | 35mm/HD | 2013 | 96 minutos
Uma produção da 400 Filmes, em coprodução com Machado Filmes
Patrocínio: Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal
Classificação indicativa: 16 anos

Disponível em HD no NOW, plataforma de vídeo sob demanda da Net
Lançado comercialmente em 17 cidades (agosto-outubro de 2014)

SINOPSE: Pedro fugiu de casa, pegou a estrada e não sabe para onde ir. Lucas também não, mas a estrada é seu palco. Eles têm mais de 30 anos e levam apenas a roupa do corpo. Depois de se conhecerem numa lanchonete de beira de estrada, em Minas Gerais, os dois percorrem o interior do Brasil em busca de uma dose violenta de qualquer coisa.

Prêmios:
46º Festival de Brasília – Mostra Brasília: TROFÉU CÂMARA LEGISLATIVA DE MELHOR TRILHA SONORA (Set/2013)
11º Prêmio FIESP/SESI-SP de Cinema – Melhor Ator Coadjuvante, para Marat Descartes (Mai/2015)

Outros festivais:
37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Out/2013)
17ª Mostra de Cinema de Tiradentes – Mostra Homenagem (Jan/2014)
9º Festival Internacional de Cinema do RS (Jun/2014)
1ª Mostra Internacional de Cinema de Ouro Preto (Out/2014)
6º FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (Lisboa, Abr/2015)

O que falaram do filme (no Brasil):
Crítica em O Globo
Crítica na Folha de S. Paulo
Crítica na Revista Cerberos
Crítica no jornal O Estado do Maranhão
Crítica no Guia da Semana
Crítica na Almanaque Virtual
Crítica na Vertentes do Cinema
Crítica na Revista Usina
Crítica no site Cine Festivais

O que falaram do filme (em Portugal):
Crítica no site Rick’s Cinema
Crítica no site CinEuphoria
Crítica no site C7nema

Outros links:
– Trailer oficial: YouTube
– Facebook: http://www.facebook.com/UmaDoseViolentaDeQualquerCoisa
– Site (em português): www.umadoseviolenta.com
– IMDb: http://www.imdb.com/title/tt3169538/?ref_=nm_flmg_prd_1

Direção e produção: Gustavo Galvão
Roteiro: Gustavo Galvão, Bernardo Scartezini e Cristiane Oliveira
Produção executiva: Gustavo Galvão e Silvia Calza
Direção de produção: Alisson Machado e Pablo Peixoto
Produção associada e assistência de direção: Cristiane Oliveira
Direção de fotografia: André Carvalheira
Direção de arte: Valéria Verba
Montagem: Marcius Barbieri
Finalização de som: Miriam Biderman e Ricardo Reis
Trilha sonora original: Ivo Perelman, Matthew Shipp, Mat Maneri e Sirius Quartet
Elenco: Vinícius Ferreira, Marat Descartes, Leonardo Medeiros, Maria Manoella, Catarina Accioly, Mário Bortolotto, Klarah Lobato, Luma Le Roy, Chico Sant’Anna, Larissa Salgado, Juliana Drummond, Vanise Carneiro, Jones de Abreu, Humberto Pedrancini, Paco Leal, Adirley Queirós, Milton Oliveira e Abaeté Queiroz



PALAVRAS DO DIRETOR

Imagine um filme de estrada. É plausível que você pense num personagem rodando por belas paisagens e vivenciando situações edificantes, até chegar ao destino final com as suas angústias superadas. A vida não funciona exatamente assim e tampouco é assim em Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, longa de Gustavo Galvão, com produção da 400 FILMES, que rejeita o lugar-comum e o politicamente correto para examinar o papel do jovem adulto numa realidade repleta de contradições.

Concebido por brasilienses para discutir questões locais e nacionais, mas conectado com o que tem sido discutido e trabalhado no cinema independente internacional, o filme roda na contramão de road movies convencionais ao seguir um rapaz na faixa dos 30 anos numa jornada pelo Brasil Central. Prestes a fazer um acerto de contas entre o jovem sonhador que já foi e o adulto apático que se tornou, ele corta os laços com o passado e o presente e pega a estrada. Ele percorre Goiás, Minas Gerais… Mas sua mente atribulada não deixa que ele se esqueça de sua Brasília natal.

Com franqueza, o filme repensa um contexto que cultua o indivíduo em detrimento do coletivo e não evita temas polêmicos – como a mudança no perfil de Brasília, a outrora “capital da esperança”. O personagem que sintetiza tal proposta se chama Pedro. Ele não sabe do que foge quando sai da cidade. Busca respostas, mas não encontra mentores no caminho, e sim sujeitos fechados no próprio ego. Pedro não é diferente, é o que descobrimos numa narrativa que conjuga pop e cinema de arte. Ação e reflexão.

A companhia mais constante de Pedro nessa viagem é Lucas, um rapaz quase da mesma idade, que oculta suas aflições ao vestir a máscara do marginal libertário. Os dois se conhecem em um banheiro de beira de estrada – cena de teor homoerótico emblemática da relação ambígua que estabelecem. Ao compartilhar com Lucas situações que vão do cômico ao trágico, Pedro atinge seu limite moral e físico. Assim, ele percebe que não conseguiu superar suas angústias, mas está em plena transformação.

ROAD CERRADO MOVIE

A expressão acima surgiu nas filmagens de Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa. Era a constatação de um detalhe que torna este road movie único em comparação com tantos outros filmes do gênero: o pano de fundo para as aventuras de Pedro e Lucas é o Cerrado, região pouco explorada pelo nosso cinema – ainda.

Ao fazer a ponte entre a barroca Ouro Preto e a moderna Brasília, duas cidades importantes na formação do Brasil que conhecemos, Uma Dose Violenta rodou por outras 11 cidades: Brazlândia, Gama, São Sebastião e Sobradinho (DF); Planaltina, Luziânia, Formosa, Valparaíso e Cristalina (GO); Patrocínio e sua vizinha, Serra do Salitre (MG). Mas o imaginário dos protagonistas viaja para além do Cerrado. Na jornada pelo “coração selvagem do Brasil”, nas palavras de Lucas, ele e Pedro sonham com Recife, Atacama, África! Para eles, o infinito não é suficiente.



NO CAMINHO DA DESESPERANÇA
Crítica de Rodrigo Fonseca
(O Globo, 15 de agosto de 2014)

Batizado em referência a um verso do beatnik Allen Ginsberg, Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa é um road movie árido, no qual a câmera evita enquadramentos fechados hoje tão comuns no cinema nacional. Elegante, essa câmera retrata seus personagens com alguma distância, mais interessada em registrar seus desabafos do que em encarar seus olhos.

Falas do tipo “Jesus é contracultura” ou “Família é uma droga pesada” garantem uma ironia debochada ao universo rústico dissecado pelo diretor brasiliense Gustavo Galvão (de Nove Crônicas para um Coração aos Berros), com o apoio da fotografia de André Carvalheira. Trata-se de um filme calcado num mundo, o das estradas, onde a solidão inspira conexões improváveis e põe em xeque, a cada quebra-molas, a ética machista das amizades masculinas.

Na trama, um jovem de classe média, Pedro (Vinícius Ferreira), larga tudo e sai a viajar, atrás de algum sentido. No caminho, esbarra com desvalidos afetivos, entre eles um marginal que vira seu parceiro de jornada, Lucas (Marat Descartes). Num longa preocupado em discutir o sentido da errância nesta época sem utopias, Lucas, na atuação caudalosa de Marat, representa uma reinvenção da palavra cafajeste, por unir malandragem e carência numa só alma.

No gestual de Marat, Lucas evoca traços de Paulo Villaça e Jece Valadão, atores que melhor traduziram o conceito brasileiro de cafajestagem. Pedro e Lucas erram pela tela embalados no sax seco de Ivo Perelman (destaque da trilha sonora), vivendo peripécias banais num cenário onde a macheza tornou-se impotente frente à desesperança. Ao filmá-lo, Galvão disseca um Brasil em coma.