• Longas

    Nove Crônicas para um Coração aos Berros, com Simone Spoladore e Júlio Andrade

    Após uma década produzindo curtas com o propósito de explorar caminhos que fugissem do convencional, a 400 FILMES iniciou uma nova fase em 2011, ano que marca a finalização dos dois primeiros longas da casa. A exploração de novos caminhos continua sendo uma meta; o que mudou foi o formato.

    De um lado está Nove Crônicas para um Coração aos Berros, ficção que embaralha personagens e gêneros para dialogar com referências como Roy Andersson, Robert Polidori, Raymond Carver e o Teatro do Absurdo. O resultado é um filme que se propõe a incitar o estranhamento no espectador, para, em seguida, convidá-lo a vivenciar o cinema como uma expressão de múltiplas capacidades. A base desse projeto são personagens de uma cidade não-identificada, que encaram o momento da reinvenção pessoal.

    A produção foi viabilizada com recursos próprios e graças a uma série de apoios e parcerias, inclusive com o estúdio de finalização de som Effects Filmes e a produtora paulista Ludofilmes. O modelo adotado foi leve, independente e propenso a improvisos, de forma que atores e técnicos se sentissem livres para correr riscos. Foi a disposição pelo risco que motivou Gustavo Galvão e equipe a empreender uma aventura: foram nove histórias rodadas com 24 atores, em 19 diárias e 30 locações.

    Com 93 minutos, Nove Crônicas para um Coração aos Berros recebeu a MENÇÃO ESPECIAL DO JÚRI ACCU/ FIPRESCI, prêmio da crítica internacional no 31º Festival Cinematográfico del Uruguay. O filme foi exibido comercialmente em nove cidades brasileiras, entre 2013 e 2014, e se encontra disponível em toda América Latina tanto na Netflix quanto no iTunes.

    A Cidade é uma Só?, documentário dirigido por Adirley Queirós

    A Cidade é uma Só? entrou na programação da TV Brasil no segundo semestre de 2011. Contemplado no edital Brasília 50 Anos, uma homenagem ao 50º aniversário de Brasília promovida pelo Ministério da Cultura e pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o documentário implode todas as expectativas que o tema e o gênero poderiam provocar. A duração final é de 52 minutos. Uma versão de 73 minutos estreou em outubro de 2011, na Semana dos Realizadores (Rio de Janeiro), e foi consagrada com o Prêmio da Crítica na Mostra de Tiradentes, em janeiro de 2012.

    Dirigido por Adirley Queirós, cineasta criado e ativo na cidade-satélite de Ceilândia, o documentário mescla técnicas e trata de combinar todos os métodos possíveis de narrativa documental. Há de entrevistas a cenas pseudo-documentais, passando por reconstituição de época e inserções de imagens e sons de arquivo.

    Todos esses recursos são utilizados para contar o outro lado da formação de Brasília, o lado B da “capital da esperança”. Adirley reflete sobre o surgimento da Ceilândia, um fato emblemático por ser resultado de uma campanha de expulsão do Plano Piloto de operários, migrantes e outros cidadãos “indesejáveis”, perpetrada pelo Governo de Brasília, em 1971. Hoje, verdade seja dita, a cidade não é uma só.


    Uma Dose Violenta, com Leonardo Medeiros, Vinícius Ferreira e Marat Descartes

    Brasília também inspirou o terceiro longa da 400 Filmes, a ficção Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa, com direção de Gustavo Galvão. Os protagonistas Pedro e Lucas são da capital, fogem dela, mas falam da cidade e rodam pelas estradas de Minas Gerais e Goiás como se não conseguissem se desvencilhar completamente da terra de onde saíram. Chegam a ir a Ouro Preto (MG), fazendo uma ponte simbólica entre dois momentos representativos da nossa História: o passado colonial e o sonho de ser moderno, que resultou na construção de Brasília.

    Recebido com entusiasmo pela crítica especializada (inclusive com a cotação máxima de O Globo), o segundo longa-metragem de Galvão fala do Brasil de hoje com franqueza e deboche raros na cinematografia brasileira contemporânea. No entanto, este road cerrado movie bebe da tradição do cinema marginal dos anos 1960 e 1970, algo bem brasileiro, mesclando-a com referências à contracultura norte-americana e à cultura pop. Um filme para ser visto e ouvido. Não por acaso, recebeu o Troféu Câmara Legislativa de Melhor Trilha Sonora no 46º Festival de Brasília (setembro de 2013). Já em maio de 2015, por sua atuação emblemática no filme, Marat Descartes recebeu a estatueta de melhor ator coadjuvante no 11º Prêmio FIESP/SESI-SP de Cinema.

    Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa foi distribuído no circuito comercial de forma independente. Estreou em nove cidades brasileiras, de Porto Alegre a Salvador, em 14 de agosto de 2014. Ao todo, o filme passou por 17 cidades. Mais uma demonstração do potencial de realização da 400 FILMES, bem como da penetração de seus produtos no mercado.

    Para saber mais sobre os longas da 400, acesse as páginas A CIDADE É UMA SÓ?, NOVE CRÔNICAS PARA UM CORAÇÃO AOS BERROS e UMA DOSE VIOLENTA DE QUALQUER COISA.

    Para saber notícias desses filmes, acompanhe a página NOVIDADES.